Monday, November 26, 2007

Quebraste

Com cuidado tocaste no fundo
e mesmo estando partidas voltaste a quebrar
as ondas revoltas do mar de cloreto de sódio
que lentamente cantavam ao cair do teu rosto
tão perfeito e belo.
Sempre tudo foi tão claro,
ilustração sem falhas do despercebido real
que atormenta com prazer a minha vida
que só faz sentido com o turbilhão constante,
a tua presença.


É em chão duro e liso que me afundo sem parar
sem energia e sem o odor da vontade inata
com a inercia e o movimento das trevas
que rasgam, destroem e me corrompem
ao ponto de encontrar a esperança.
Sou uma porta que não abre nem fecha
fechadura que dispensa de chave,
sem retoques de beleza ou luxo
que apenas reage à tua inocência fatal
e pureza desmedida.


F.M.

Sunday, November 04, 2007

É cá no alto...

É cá no alto onde sopra forte.
Onde não só areias e poeira conseguem voar,
Mesmo onde brilha quem não tem sorte,
Onde ganham força os que têm que lutar
E todos aqueles que têm arte para amar.

É cá no alto onde o sol mais brilha,
Por entre as folhas da breve árvore da vida,
Irrequieta e solitária na tenebrosa ilha,
Onde só os audazes encontram a saída,
Sabendo assim que a sua sina já foi lida.

É cá no alto onde vive esta saudade,
Por onde navegam, procurando por saber,
Onde começa o fim desta triste verdade,
Para aqueles que tudo têm a render,
Só para não sofrer, para não te perder.

F.M.