Quebraste
Com cuidado tocaste no fundo
e mesmo estando partidas voltaste a quebrar
as ondas revoltas do mar de cloreto de sódio
que lentamente cantavam ao cair do teu rosto
tão perfeito e belo.
Sempre tudo foi tão claro,
ilustração sem falhas do despercebido real
que atormenta com prazer a minha vida
que só faz sentido com o turbilhão constante,
a tua presença.
É em chão duro e liso que me afundo sem parar
sem energia e sem o odor da vontade inata
com a inercia e o movimento das trevas
que rasgam, destroem e me corrompem
ao ponto de encontrar a esperança.
Sou uma porta que não abre nem fecha
fechadura que dispensa de chave,
sem retoques de beleza ou luxo
que apenas reage à tua inocência fatal
e pureza desmedida.
F.M.
