Dormindo sou o que devo ser
Oiço um sino tocando na noite,
em surdina visível ao meu olhar.
Ensopa-me os ossos, rompendo
leves tristezas ausentes no ar,
saudades do que é amar.
Em concha se abre o meu dia,
regozijando a noite ter quebrado.
Crepita na minha carne, acordando
dormente sentimento pesado,
como uma bela música de fado.
Porque razão devo acordar?
Dormindo sou o que devo ser.
Sopra-me na alma, mostrando
a vaga ideia que penso ter,
algum dia me venha a conhecer.
07/07/2008
F.M.